Artigos - João Capiberibe
Terça, 27 Março 2018 10:59

Êita povo maneiro!

"Atos insanos condenam ao silêncio eterno pessoas inocentes? Até quando assistiremos vidas ceifadas impunemente? Até onde a fracassada guerra contra as drogas vai chegar? Uma coisa é certa, a resposta para tantas interrogações não virá de cima"

O Rio de Janeiro é um encanto, é pra lá de lindo, eu acho! Penso que todo mundo acha o mesmo, né? Agora, tão bonito e maneiro é o povo que emergiu desse cenário. Nesse quesito tem gente que pode até não concordar, mas pra mim esse povo é uma mistura de simpatia e descontração. Eles têm um jeito de andar que é só deles, nem devagar, nem apressado, caminham com leveza, falam com graça e convencimento, sorriem com frequência.

Ah! O Rio, além de sua paisagem estonteante, e do jeito mestre-sala e porta-bandeira de seu povo, presenteou-nos com joias raras, sou-lhe eternamente grato por Cartola, e quem não é? Mas são tantos os bijus que o melhor mesmo é fazer uma vitrine, e nela expor, além do autor de “As Rosas Não Falam”, outros que compõem a trilha sonora do meu caminhar pela estrada da vida. Do amanhecer até altas horas, quando entro em pausa, embalo-me com os acordes geniais de Tom Jobim, alegro-me com o samba de Martinho, Zeca Pagodinho e João Nogueira. Tem Chico Buarque que me faz refletir, sempre. E Gonzaguinha que não me deixa esmorecer. Sem esquecer Vinicius que me dá prazer.

Por que esse Rio fascinante, que a cada fevereiro enche os olhos do mundo, ao encenar a céu aberto, o maior espetáculo cultural que se tem notícia, desaparece num turbilhão de violência em seu cotidiano. Como é possível tanta virtude, tanta beleza e talento, sucumbir ao pesadelo de uma guerra cujo inimigo é seu próprio povo. E os senhores dessa maldita guerra, operam invisíveis nas altas rodas do poder, comandam a matança à distância, transformando sangue de gente pobre, de jovens e negros, fardados ou civis, em lucros gigantescos.

Assistimos atônitos à uma mistura de enredo, encanto e molejo com violência, choro e desespero. Quase que diariamente a Cidade Maravilhosa vira manchetes nos jornais, não por sua paisagem cênica, estonteante ou pelo seu povo diferenciado. E sim, pelas tragédias das famílias que perdem entes amados, por sonhos interrompidos, por traições e decepções sem limites.

Até quando meu Santo Deus? Atos insanos condenam ao silêncio eterno pessoas inocentes? Até quando assistiremos vidas ceifadas impunemente? Até onde a fracassada guerra contra as drogas vai chegar? Uma coisa é certa, a resposta para tantas interrogações não virá de cima. A casta dominante do Rio de Janeiro e do Brasil,  impôs, a ferro e fogo, seu modelo perverso de desenvolvimento, ancorado na exclusão social, destruição ambiental e dependência externa. Esse modelo desastroso exclui, degrada e mata. O povo o repudia, resiste e luta por justiça e igualdade, pagando um preço insensato.

A esperança vem do povo, ainda que vivamos em  um tempo onde lutar por seu direito é um defeito que mata, tem gente que luta, e não deixa apagar essa chama. Aqui lembro Marielle, como também lembro Chico Mendes, João Batista, Paulo Fonteles, Irmã Dorothy, Marçal Tupã-i, José Claudio e Maria. Esses encabeçam uma interminável lista dos que ergueram suas vozes e sacrificaram suas vidas em defesa de justiça e igualdade. São estrelas penduradas no varal do céu, acalentando nossos sonhos e utopias.

Alô Rio de Janeiro! Saiba! Eu ainda tenho esperança que você um dia venha ser como o samba que eu escuto, lindo, leve e encantador.

 

* João Capiberibe

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"A ideia é singela, e procura aproveitar as potencialidades das mídias sociais, para instituir uma tecnologia social, destinada ao acompanhamento de atos governamentais, com vistas a assegurar a lisura, economicidade, efetividade e tempestividade dos mesmos"

O Brasil se vê envolvido em uma crise política de grande envergadura e duração, o que, naturalmente, tem consumido a parte mais expressiva do tempo da opinião pública, assim como da energia dos agentes políticos. As muitas frentes em que se lutam para superar a crise não podem, contudo, nos consumir, a ponto de que não nos dediquemos a atividades criativas, com o propósito de fortalecer a democracia e, em especial, a participação popular.

Neste contexto, apresentei ao Congresso Nacional o Projeto de Lei do Senado (PLS) 325/17, que tem por objetivo instituir “a gestão compartilhada, destinada ao acompanhamento orçamentário, financeiro e físico da execução de obras, da prestação de serviços públicos e de aquisições de materiais e equipamentos por grupos de cidadãos organizados, em aplicativos agregadores, disponíveis na internet ou na telefonia celular”.

A ideia é singela, e procura aproveitar as potencialidades das mídias sociais, para instituir uma tecnologia social, destinada ao acompanhamento de atos governamentais, com vistas a assegurar a lisura, economicidade, efetividade e tempestividade dos mesmos.

 Uma proposta para a gestão pública compartilhada

"A ideia é singela, e procura aproveitar as potencialidades das mídias sociais, para instituir uma tecnologia social"

Em termos de sua arquitetura, a gestão compartilhada apresenta, fundamentalmente, o polo da sociedade civil, que se organiza por meio de grupos de relacionamento, em aplicativos como WhatsApp, Facebook – para ficar nos mais usados –; e o Estado, que prepara as entidades da administração direta e indireta, para interagir com a população, no âmbito das previsões do PLS 325/17.

O relacionamento que estabelecem entre si, sociedade civil virtualmente organizada e agências estatais, tem por metas imediatas, o que interessa de perto a cada comunidade, ou seja, o êxito na execução de obras, prestação de serviços de excelência, melhorias de equipamentos públicos já existentes, entre outros benefícios.

Este relacionamento, a sua vez, tem protocolos definidos por lei, de tal forma que a interação seja produtiva. É previsto, para os grupos constituídos por meio dos aplicativos, regras de conduta e obrigações, inclusive quanto à moderação de seus componentes. Do lado dos entes estatais, definições claras, em termos de designação e atribuições, direcionadas aos que devem prestar informações à população. Ou seja, permanecem todos sob os marcos mais estritos da cidadania e da urbanidade, ainda que as interações sejam virtuais.

Se deixarmos, no entanto, esse aspecto mais imediato e de interesse mais vivo, como o controle social, há, adicionalmente, um ganho precioso de médio e longo prazo: o exercício prático da participação popular, por meio de uma tecnologia social já testada no Estado do Amapá, que funciona de verdade e, que, portanto, anima o povo a zelar por aquilo que lhe pertence.

E foi essa experiência no Amapá que me motivou levar a gestão compartilhada para o nível nacional e mostrar que quando representantes de todas as esferas se unem é possível fazer um bem exitoso.

A gestão compartilhada busca aproximar o cidadão do poder público. De torná-lo um agente transformador capaz de opinar e acompanhar os gastos públicos, de combater a corrupção na sua essência, de evitar superfaturamentos. É uma ferramenta que dá um passo adiante à Lei Complementar nº 131, a Lei da Transparência, de minha autoria. Juntas as duas leis permitem ao cidadão o controle social dos recursos públicos e, principalmente, que saibam onde está sendo investido seus impostos.

No interior dessa prática, que é intrinsecamente política, está a mais efetiva solução para os desafios, que este presente amargo nos apresenta e, para os quais, não temos soluções efetivas.

A crise política, essa da qual todos reclamamos, e com a devida justiça, não se resolverá apenas nos parlamentos; não é apenas obra de governos, ou de agentes políticos. É o próprio sentido da política que deve mudar no Brasil e, reescrever nossa história, exige empoderar a população, para que ela incorpore à soberania que lhe é inerente, os instrumentos que haverão de torná-la efetiva e eficaz. A gestão compartilhada, seguramente, está entre eles e nos ajudará a virar essa “página tão infeliz de nossa história”.

 

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